Derrubar muralhas mentais e construir-se, recriar-se sempre

É possível derrubar muros que separam habitantes de uma cidade.  Fazem parte da mesma população do planeta. O muro de Berlim pode ser um exemplo. É possível transformar em arte indesejáveis momentos históricos e aprender com os erros. Recriar e reconstruir sempre.

Peter Senge (MIT/USA) nos conta que seu aluno astronauta que foi à Lua afirmou que quando a nave se afastava da Terra, não eram visíveis as fronteiras imaginárias entre as nações, nem tampouco a Muralha da China. Ao descer na Lua, foi dita a célebre frase: “um pequeno passo para nós, mas um grande passo para a humanidade”.  Ao retornar à Terra, o astronauta e nem o mundo não são mais os mesmos. Mudou sua percepção sobre o universo, sobre os humanos. Podemos aprender uns com os outros, mesmo que todos não tenhamos a consciência da saída de um planeta denominado Terra, de um dos sistemas solares de uma das galáxias do Universo conhecido até o momento pelos humanos.

O compositor e músico grego Yanni, em seu disco/DVD Tribute, apresenta uma música/vídeo denominada “We’re one” (nós somos um todo) com a Orquestra Filarmônica de Londres e músicos de vários continentes dançando em conjunto. O aborígene australiano estava presente, representado por um músico. “We are one”. Mesmo que muitos não queiram ou não percebam, ou discordem. Somos humanos. Mesmo que tenhamos a hipótese de que convivemos com seres de outros planetas.

Visão sistêmica e flexibilidade dos modelos mentais tornam-se imprescindíveis para vivermos no mundo interconectado e de alta interatividade da sociedade contemporânea.

Pessoas que trabalham e vivem em organizações, famílias, grupos, instituições criam determinadas fronteiras em momentos históricos.  Fronteiras mudam constantemente em todas as civilizações, quando essas não desaparecem. Na linha do tempo, a mudança é constante e contínua.

No presente, muda o mundo, nosso corpo, nosso ser essencial e nossos modelos mentais sobre os fatos e fenômenos: as percepções, os conhecimentos, os valores, as crenças, os desejos, os comportamentos, os pensamentos, os sentimentos. Maturana diz que somos o que vemos. O mundo é, de fato, um caos, algo complexo, em desconstrução, em reconstrução, em criação, em equilíbrio. Apegar-se a percepções momentâneas e cristalizá-las, tornando-as permanentes pode impedir de ver as novas formas. Como sujeitos históricos, temos o livre arbítrio, trabalhamos com a possibilidade de percorrer caminhos, construindo-os e reconstruindo-os, como seres imperfeitos que os somos, em evolução.

Graça Murici.

Gestão do Conhecimento Organizacional na realidade brasileira

UM ESTUDO DE  CASO – COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS – CEMIG

A gestão do conhecimento organizacional é conceituado, descrito e analisado, nas fases de criação, organização e transferência do processo de saber, através do estudo de caso de uma grande empresa brasileira do setor energético, denominada Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG. Foram identificadas as fontes de informação textuais, humanas e eletrônicas do processo de criação; os sistemas, repositórios e fluxos de organização e as formas de transferência do conhecimento empresarial. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter exploratório, realizado através de entrevistas e da análise de documentos, que destaca aspectos de natureza soft, tais como o fluxo das comunicações e interações humanas presenciais e virtuais, bem como as networks com organizações do ambiente externo empresarial. Considera fator crítico de sucesso o alinhamento estratégico do referido processo aos  ropósitos, objetivos e resultados pretendidos pelas empresas.

Sugere um olhar sobre o conhecimento inconsciente; valoriza a análise da identidade corporativa – o modus vivendi empresarial e analisa as contradições e paradoxos do processo de gestão do conhecimento. Apresenta os desafios desse processo, por envolver distintas percepções, desejos, valores, propósitos e interesses, que quando explicitados, fazem parte de uma trama de negociações de poderes, de quereres e de saberes. Conclui que os fluxos de conhecimentos das organizações extrapolam as fronteiras imaginárias corporativas e fluem como a água, das  ascentes aos oceanos, através das constelações de organizações em continentes visíveis e virtuais, para múltiplos  sos. Base de vantagem competitiva, a gestão do conhecimento relacionado à core competence parece ser fator determinante da capacidade de sobrevivência, de adaptação e de inovação empresarial, em ambiente competitivo. Considera que a sabedoria ao gerir o processo de conhecimento empresarial requer compreensão de sua complexidade, modelos teóricos e esquemas interpretativos não apenas racionais e consciência da contribuição para a evolução das organizações e da humanidade.