Transformações digitais

Texto de Maria das Graças Murici, publicado no Jornal Estado de Minas – Seção Opinião – 01/12/2018
Publicação original no endereço:  https://www.em.com.br/app/noticia/opiniao/2018/12/01/interna_opiniao,1009614/transformacoes-digitais.shtml

O século 21 requer aprendizagem contínua e veloz, mentes abertas para mudanças, ação colaborativa e maturidade moral

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As transformações digitais em curso nos países, organizações e cotidiano das pessoas envolvem mudanças decorrentes de tecnologias digitais, biológicas e de materiais. Como um tsunami, provocam impactos sistêmicos, profissionais e pessoais. Inovação, aprendizagem veloz, mentes abertas e colaboração são chaves mestras.

Civilizações anteriores não conheceram facilidades e desafios do mundo contemporâneo para a comunicação a distância e interconectividade. Em ritmo exponencial e não linear, a revolução digital combina tecnologias com mudanças econômicas, sociais e individuais. Reuniões são realizadas por WhatsApp, Skype, Facetime e outras plataformas, softwares, aplicativos digitais que disponibilizam dados, imagens e voz em tempo real. A comunicação dos acontecimentos ocorre de forma simultânea, com o uso da internet, satélites e sensores integrados.

A Netflix substitui televisão para muitos. Usuários são gestores de suas escolhas de entretenimento e protagonistas de histórias nas redes sociais. Comunicações de humanos com robôs têm sido frequentes para prestação de serviços. Consultas são marcadas/avaliadas por sistemas; cirurgias realizadas a distância; livros comprados, armazenados e lidos em meio digital. Mudou o conceito de possuir com Airbnb, Uber, Facebook. Automóveis, bicicletas e imóveis são alugados apenas quando utilizados. Cidades inteligentes, agricultura autônoma, transformações nos modelos de negócios estão em construção. A moeda sem lastro em ouro circula em ambiente virtual e mais de mil criptomoedas são comercializadas em plataformas blockchain confiáveis. Empresas avançam na substituição de atividades operacionais por robôs e softwares. Profissões têm sido criadas, novas oportunidades de trabalho para profissionais qualificados.

Alguns negam as transformações como se o fato de colocar vendas sobre os olhos fará a realidade desaparecer. Outros, com otimismo cego, não avaliam os desafios éticos envolvidos. Alguns ignoram os fatos. A escolha é do indivíduo social que cria e vive essa realidade e que, historicamente, pode utilizar tecnologias para prosperidade e benefícios da sociedade. Há plasticidade do cérebro para aceitar mudanças cognitivas nas atitudes, ações e intenções.

Dados qualificados, organizados, integrados, disponibilizados em tempo real atendem a necessidades de usuários e geram informações relevantes para análises, predição e tomada de decisões. Tecnologias como computação em nuvem, inteligência artificial, big data/analytics, internet das coisas, robótica, computação quântica, drones, realidade aumentada, impressão 3D, veículos autônomos, nanotecnologia, nanoengenharia, indústria 4.0, internet 5G e outras transformam a realidade vivida a cada fração de segundo. Estudo da International Data Corporation (IDC) prevê que, em 2021, pelo menos 50% do PIB global será digitalizado.

Na educação, transformações ocorrem com o ensino a distância. Pesquisas através de palavras-chave, por autores e assuntos, por meio de voz, imagens ou de texto são realizadas com assistentes digitais pessoais, no Google, Wikipédia, YouTube, portais, sites, blogs, documentos e plataformas de publicações científicas. Metodologias educacionais combinam conteúdos com jogos digitais, realidade virtual, aplicativos, softwares, aprendizagem de máquina, realidade aumentada, robótica e plataformas inteligentes. Mas a estratégia de diferenciação consiste no desenvolvimento de competências dos estudantes, evitar conteúdos obsoletos e focar na efetiva aprendizagem experenciada. Mudanças de políticas públicas, propósitos, currículos, metodologias educacionais e espaços favorecem que estudantes aprendam conhecimentos, habilidades, atitudes necessárias para profissões atuais e que ainda não existem. Pontes para enfrentar desafios atuais e futuros devem ser construídas por governos, organizações e cidadãos. As oportunidades são múltiplas e requerem atenção e conhecimento interdisciplinar.

Segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, de outubro de 2018, com o uso de inteligência artificial e robótica serão criados 58 milhões de novas ocupações profissionais nos próximos cinco anos, o que ultrapassa o número de funções que poderão ser extintas. Profissões emergentes relacionam-se com transformações digitais e habilidades humanas que máquinas não realizam

O século 21 requer aprendizagem contínua e veloz, mentes abertas para mudanças, ação colaborativa e maturidade moral. Mas, também, desligar-se das telas e olhar o céu e as estrelas.

Publicacao Estado de Minas 01/12/2018

Rede Batista investe na capacitação dos seus líderes

Foto: Divulgação http://redebatista.edu.br

O que deveria ser regra torna-se diferencial. Diante da crise econômica e da alta competitividade, o treinamento estratégico é uma ferramenta essencial para o crescimento de produtividade e resultado no mercado. Além do ganho conjunto para patrões e empregados no que se refere a resultados e competências, é uma ferramenta de aperfeiçoamento contínuo com alto valor agregado.

Pensando assim, a Rede Batista de Educação investe no Programa de Capacitação dos Coordenadores Pedagógicos, e um dos encontros aconteceu no dia 13/06/2017, no CREA Cultural. O assunto foi o mapeamento das competências essenciais dos coordenadores da instituição.

Foto: Divulgação http://redebatista.edu.br

A palestrante e professora Maria das Graças Murici, psicóloga e especialista em Administração de Recursos Humanos, com mestrado em Administração Geral e Organizações, mestre em Ciência da Informação e com várias disciplinas realizadas no doutorado de Filosofia e Administração da Universidade Federal de Minas Gerais, abordou diversos aspectos relacionados à educação nos “novos tempos” e ao perfil da liderança correspondente, com a busca pela inovação e desenvolvimento da instituição frente às novas realidades. “Este foi o momento da avaliação das competências mapeadas durante a realização do Programa de Capacitação”, sinaliza a professora.

De acordo com o setor de Desenvolvimento Humano da instituição, para dar continuidade ao crescimento e à qualificação dos líderes e colaboradores, a Rede Batista estrutura políticas nas áreas de capacitação e treinamento com a intenção de aumentar ainda mais sua capacidade de promover treinamentos.

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As três galáxias que podemos ver a olho nu

CIÊNCIA: ASTRONOMIA – GUILHERME MURICI CORRÊA

Todos os planetas do nosso Sistema Solar orbitam o Sol, que é apenas uma dentre bilhões de estrelas que compõe a nossa galáxia: A Via Láctea. Observada e nomeada desde tempos muito remotos, foi apenas descoberto que o “caminho de leite” na verdade se tratava de um imenso número de estrelas, quando o famoso astrônomo Galileu Galilei a observou.

Quando observamos o céu em uma noite sem nuvens podemos ver milhares de estrelas dependendo das condições do local de onde observamos. Todas estas estrelas fazem parte desta galáxia em que o sistema solar está localizado. Se abstrairmos um pouco e pensarmos cada vez mais distante, haverá um momento em que será possível distinguir uma forma para esta organização de estrelas, no caso da via Láctea será uma forma espiralada praticamente planar, ou seja, a grande maioria das estrelas está localizada em um plano, o “disco” galáctico. O primeiro astrônomo a chegar a esta conclusão foi o também famoso William Herschel que mais tarde obteve confirmação de suas observações quando Harlow Shapley descreveu como as estrelas estariam organizadas em relação ao centro (bojo) da galáxia e também demonstrou que o Sol está mais próximo à borda da Via Láctea.

Via Láctea
As galáxias são, portanto, formadas de estrelas, milhões ou bilhões delas. Existem várias classificações para cada uma dependendo de sua forma, como por exemplo, galáxias irregulares, elípticas, espirais, como é o caso da Via Láctea, Andrômeda, entre outras. As galáxias espirais também podem possuir um formato característico que é denominado de espiral barrada.
Entre as estrelas se encontra também muito gás e poeira, de fato ¾ da massa de uma galáxia está na forma de gás e poeira. Este é o material que restou de estrelas que já “se foram” e é também o material que novas estrelas utilização para se formar. Comentando de maneira breve: Estrelas são formadas principalmente por nuvens de gás, principalmente hidrogênio, que é o elemento mais simples existente e o primeiro a sofrer o processo de fusão nuclear no ciclo de reações que ocorrem durante o período de atividade de uma estrela.

 

Toda essa poeira e gases existentes nas galáxias também emitem luz porque seus átomos estão sendo excitados de alguma forma pela radiação das estrelas vizinhas e quando seus respectivos elétrons retornam ao estado fundamental, estes emitem fótons. Repare estas regiões nebulosas observando, por exemplo, as partes de cores azuis e rosas nesta fotografia da galáxia M66:
M66

Observando em todas as direções é possível ver galáxias que podem estar tão perto como algumas centenas de milhares de anos luz até galáxias tão distantes que são necessários telescópios de grande porte para se fotografar e estudar. Devido a estas grandes distâncias envolvidas no estudo e observação de galáxias, parece pouco provável observá-las à vista desarmada ou mesmo com pequenos telescópios ou binóculos.

Galáxia do Triangulo

Felizmente isto não é verdade, a Via Láctea possui algumas galáxias satélites, isso mesmo, assim como a lua é um satélite natural da Terra, existem galáxias pequenas quando comparadas à Via Láctea que estão gravitacionalmente relacionadas “conosco”. Este fato intrigante nos permite observar dois objetos muito interessantes que são melhores observados de latitudes mais austrais devido à suas localizações no céu.

Todas estas características peculiares são o motivo da descoberta relativamente tardia das nuvens de Magalhães. Como o nome já sugere, estes objetos que mais tarde foram estudados e percebidos como galáxias, foram descobertos pelo navegador Fernão de Magalhães em torno de 1519.

Juntamente com as nuvens de Magalhães, a grande galáxia de Andrômeda também pode ser observada à vista desarmada.

O que é possível observar a olho nu?

Infelizmente todos os detalhes, contornos e cores como visíveis por estas fotos acima somente podem ser observados através de telescópios de grande abertura que são utilizados para realizar fotografias de exposição, realçando e evidenciando características que o olho nu não conseguirá distinguir.

Por outro lado, observar o céu a olho nu é uma atividade simples e prazerosa. Quando uma observação sem instrumentos é feita com cuidado muitos objetos interessantes podem se revelar. E embora pareça difícil observar uma galáxia devido aos fatos de que estes corpos estão muito distantes e também que o brilho proveniente de uma galáxia não é concentrado como o brilho visível de uma estrela, ainda sim é possível observar estas três galáxias: A galáxia de Andrômeda, A Grande Nuvem de Magalhães e a Pequena Nuvem de Magalhães. Esta observação auxilia o conhecimento dos objetos celestes e fornece um maior contato com o que observamos, já que se torna bem mais fácil observar objetos quando possuímos uma noção de orientação, das constelações e assim em diante.

É possível reconhecer que estes objetos, a primeira vista apenas manchas no céu, são de fato grupos de estrelas e, de uma maneira bem geral, vários outros objetos próximos serão melhores observados quando conseguimos identificar suas localizações como aglomerados estelares e nebulosas.

Pequena Nuvem de Magalhães e o Aglomerado de 47 Tucano

Esta galáxia irregular está próxima à constelação do Tucano e está a menos de 200 mil anos luz da nossa galáxia. É uma galáxia satélite da nossa e possui diversos objetos nebulosos próximos como o famoso aglomerado globular de 47 Tucano. É importante lembrar que para observá-la é necessário um local com pouca poluição luminosa, além de ser mais facilmente observada quando a Lua não estiver no céu. A mancha tênue ligeiramente esbranquiçada não será confundida quando o observador se lembrar de sua localização:

Carta celeste indicando localizações das nuvens de Magalhães observando na direção E-SE e baseando-se em estrelas brilhantes
NGC 104 ou 47 tucanae é o segundo aglomerado globular mais brilhante de todo o céu

A Grande Nuvem de Magalhães

Assim como a Via Láctea e a pequena nuvem de Magalhães, a grande nuvem de Magalhães também pertence ao grupo local de galáxias e é do tipo irregular. Trata-se de um objeto que está próximo à constelação de Dorado e está a apenas cerca de 170 mil anos luz da Via Láctea. Estende-se por uma extensão consideravelmente maior que Pequena Nuvem de Magalhães e possui, similarmente, muitos objetos nebulares próximos muito interessantes como a nebulosa da tarântula.

A grande nuvem de Magalhães (LMC) e a nebulosa da tarântula, acima à esquerda

Uma curiosidade sobre a grande nuvem de Magalhães é que sua órbita é praticamente circular ao redor da via Láctea. Observações e estudos foram realizados e este objeto é uma fonte de estudos para questões como a matéria escura (dark matter) na nossa própria galáxia.

A Nebulosa da Tarântula

A galáxia de Andrômeda

O objeto mais distante que é possível de se observar à vista desarmada, é uma grande galáxia que junto com as duas anteriores também faz parte do grupo local. Galáxia do tipo espiral que possui um diâmetro de aproximadamente 250 mil anos luz, (mais do que o dobro do diâmetro da via Láctea!) e está distante cerca de 2.9 milhões de anos luz da nossa galáxia. Possui galáxias satélites e está localizada na constelação de Andrômeda, a princesa, um dos personagens da mitologia grega. Melhor observada do hemisfério norte, possui a seguinte localização:

Localização da Galáxia de Andrômeda

Também conhecida como M31, objeto 31 do catálogo do astrônomo francês Charles Messier, Andrômeda possui uma aparência bem uniforme quando observada a olho nu. O mais desafiador dos objetos desta lista é também uma bela indicação de uma região do céu próxima a estrelas muito conhecidas, principalmente no hemisfério norte. Um local com pouquíssima iluminação deve ser buscado para observar a região mais central da galáxia. Se observado por binóculos ou pequenos telescópios, o formato oval é facilmente distinguível, já quando observado por telescópios de maior abertura, detalhes mais profundos são revelados.

Galáxia de Andrômeda

 

Observar galáxias definitivamente não é uma tarefa fácil, contudo é muito interessante e divertido. Observadores que desejam ir além do sistema solar, têm um bom ponto de partida. Estas três galáxias podem ser o início de uma grande jornada através de objetos difusos mais complexos como nebulosas e galáxias mais distantes. Mesmo um observador despretensioso vai com certeza encontrar motivação para conhecer por si mesmo estes objetos.

Guilherme Murici Corrêa

Fonte: oficina.cienciaviva.pt

Gestão do Conhecimento Organizacional – Maria das Graças Murici

Perspectivas em Ciência da Informação, Vol. 6, NÚMERO 2 (2001) – REVISTA
Gestão do conhecimento organizacional na realidade brasileira – um estudo de caso

Maria das Graças Murici

Resumo

MURICI, Maria das Graças. Gestão do conhecimento organizacional na realidade brasileira – um estudo de caso. 2001. 139 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Escola de Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

A gestão do conhecimento organizacional é conceituada, descrita e analisada nas fases de criação, organização e transferência do processo de saber, através do estudo de caso de uma grande empresa brasileira do setor energético, denominada Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG. Foram identificadas as fontes de informação textuais, humanas e eletrônicas do processo de criação; os sistemas, repositórios e fluxos de organização e as formas de transferência do *conhecimento empresarial. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter exploratório, realizado através de entrevistas e da análise de documentos, que destaca aspectos de natureza soft, tais como o fluxo das comunicações e interações humanas presenciais e virtuais, bem como as networks com organizações do ambiente externo empresarial. Considera fator crítico de sucesso o alinhamento estratégico do referido processo aos propósitos, objetivos e resultados pretendidos pelas empresas. Sugere o olhar sobre o conhecimento inconsciente; valoriza a análise da identidade corporativa – o modus vivendi empresarial e analisa as contradições e os paradoxos do processo de gestão do conhecimento. Apresenta os desafios desse processo, por envolver distintas percepções, desejos, valores, propósitos e interesses, que, quando explicitados, fazem parte da trama de negociações de poderes, de quereres e de saberes. Conclui que os fluxos de conhecimentos das organizações extrapolam as fronteiras imaginárias corporativas e fluem como a água, das nascentes aos oceanos, através das constelações de organizações em continentes visíveis e virtuais, para múltiplos usos. Base de vantagem competitiva, a gestão do conhecimento relacionado à core competence parece ser fator determinante da capacidade de sobrevivência, de adaptação e de inovação empresarial, em ambiente competitivo. Considera que a sabedoria ao gerir o processo de conhecimento empresarial requer compreensão de sua complexidade, modelos teóricos e esquemas interpretativos não apenas racionais, e consciência da contribuição para a evolução das organizações e da humanidade.

Viva a Vida

Roda da vida.
Rede da vida.
Teia da vida.
Vida da vida.
Prosperidade. Prospere e compartilhe com a idade.
Em cena, no palco, na intimidade, consigo, contigo.
Ganhar o pão e compartilhar o pão.
Compartilhar em ação o que se sabe, o que se faz e o que sonha.
Olhar para frente, seguir para frente, ora dentro, ora fora.
Enlaces, desenlaces, novos enlaces na via da vida.

Vida que se transforma, vida que evolui.
Linda a lua no céu da primavera.
Que chega com as flores, anuncia o sol e depois os frutos.
Colhe-se o que se semeia. Planta-se princípios e colhe-se o bem.
Anúncio da alegria e do trabalho compartilhado.
Com naturalidade, como humanos que somos.
Falíveis, mas que aprendemos a perdoar.
Incompletos que somos, mas que arriscamos sonhar.
Só envelhece quem gosta de viver. Envelhecer é uma honra.
Envelhecer com dignidade e conviver com todas as idades.
Sabedoria.
Sabe a dor e ria.
Vida que roda, conectada, entrelaçada, interativa, viva a vida.

Maria das Graças Murici, 2011.

No Ciclo Eterno das Mudáveis Coisas

No ciclo eterno das mudáveis coisas
Novo inverno após novo outono volve
À diferente terra
Com a mesma maneira.
Porém a mim nem me acha diferente
Nem diferente deixa-me, fechado
Na clausura maligna
Da índole indecisa.

Ricardo Reis, in “Odes”
Heterónimo de Fernando Pessoa